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02 janeiro 2024

Sem virtude

 Sem virtude

ÉS um anjo me tentando.

Às vezes me guarda,
tortura.
Deixa-me livre, 
Ora junto a mim.
Coladinha!
Corpos unidos...
Almas unidas,

tudo num só pensar.
Mas tudo... 
Brutalmente uno.
                                   Farias. 1998

Infame desejo

 Infame desejo.

Desgraçado corpo que desejo!

És pecaminoso e belo.

Divagou por sebosas camas.

Descrições pútrida de sexo, 

Mãos diabólicas, profanas,

Invade, avilta inocência

da alma que resta.

Torna-se alma e corpo sujos,

maculados pelo último ato

daquela ópera insana.

Ah! Devassa, vândala..

Querida Messalina...

Quero sucumbir contigo.

                                Farias 2012


 Sem virtude


ÉS um anjo me tentando.

Às vezes me guarda,

tortura.

Deixa-me livre, 

Ora junto a mim.

Coladinha!

Corpos unidos...

Almas unidas,

tudo num só pensar.

Mas tudo... 

Brutalmente uno.

                                   Farias. 1998

Oníricos

Oníricos 

Toco teus seios fartos,

beijo- te os lábios ,

desvisto completamente,

contemplo, acaricio...

teu corpo convulsivo,

ardente, desejoso...

Sinto o perfume...ah!

Entorpecente,

único no mundo.

Embriagado pelo cheiro,

vejo-te em desespero,

gozo profundo.

Agarra - te ao travesseiro,

sussurra ...

cerra os dentes...

numa intensa contração de músculos.

Suspiros,...

Sai...

                          Farias 04/05/2011

Aprisionado

 Aprisionado


 Este teu jeito enigmático

de querer. . .

Confunde.

Deixa-me pasmo.

Observo o teu ser na totalidade,

posso dizer: é mágico!

E invejo!

Tua maneira louca,

apaixonadamente louca de viver.

És meu carrasco em tudo.

E como um infame réptil,

prostro-me aos teus pés.

Meu ópio... Cínica...

Minha dose diária de morfina,

sou dos teus prazeres refém.

Mulher louca...

Desveste...

Vivamos essa simbiose insana.

Gênese do meu mal necessário.

Ser necrófilo.

Tu me colocas no limite

da loucura e da razão.


                                            Farias 03/05/2000

Inocentes

 Inocentes.

Em teu corpo de sedosos flancos,

de perigosas, delicadas formas!

Perdi-me por sendas inéditas

do teu misterioso templo.

Recordo, saudosamente,

repousando nos meus braços,

e sem receio algum dizias,

sim querido,  você pode!

Minhas mãos percorriam    

teu ebúrneo belo corpo,

despertando teu desejo louco...

ébrios pela lúbrica excitação...,

você, eu e as estranhas vontades

sepultamos as honras...

feitos dois pagãos.


                             Farias 2010

A você com muita saudade.

 À Você com muita saudade.


                                   Saudades!

Do teu antigo sorriso de metal, dos teus lábios escarlates, das tuas mão brancas espalmadas nas minhas costas quando me abraçava. Dos teus olhos tristes e inocentes que me olhavas discretamente.

Saudades, muita vontade!

De arrancar teu vagabundo vestido longo bordados de crisântemos roxos, comprado naquela barraca da feira de sábado, e elegantemente vestias como se fosse de grife.

                                   Saudades.

Muita saudade de apossar - me do teu corpo, de tocar teus fartos seios lindos e mimosos, e tê-los todos para mim, somente, de ouvir tua nasalizada voz a dizer: amo roçar teu corpo quente no meu, seu canalha.

                                   Saudades.

Do feérico momento da nossa entrega, tão perfeitamente justa, tu e eu, feito o encaixe da gaveta do criado mudo ao lado da cama do quarto nosso, sem nenhuma folga. Que perfeição!

                                   Saudades.

De vê-la de lábios contraídos, sussurrando, dizendo que fui seu melhor amante. Do perfume exalado dos cabelos quando jogavas para o lado após o banho, de descer as escadas para fazer leite na madrugada para tirar tua insônia, bobagem! Você dormia como uma fada depois do amor.

                                  Ah! Saudades ...

Hoje , quando me vistes caminhando pelo calçadão da ferrovia. Lembrei do ditado francês que sempre te dizia, LA PETIT MORT, e ainda em êxtase, sorrias ...

                               Droga de saudade.

Não sei o que faço com o meu coração que convulsivamente palpita quando te ver.

                                                                        Farias 2015


 

Laetitia

Laetítia 

Quando vi teu epiléptico espectro

revirar a cabeça na agonia do prazer,

com sussurros, apertos e gritos contidos,

nesse enlace. 

Não consegui conter a atroz vontade,

Insana vontade! Medo e alegria...

invadiam-me em turbilhão.

Ao vê-la Linda, esplendorosa...!

E tudo a mim, oferecia, permitia...

Oh ! Diga-me se estou a delirar?

Minha alegria.

Deixe-me disparatar aos teus ouvidos,

 Também, Leticia!

                                         Farias 1994